O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou na noite de quinta-feira (3) sobre a crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu reforma no Judiciário e apuração sobre os fatos, afirmando que a “democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”.
Lula defendeu ainda que todos devem ser investigados, sem blindagem e “doa a quem doer”.
Sem citar nomes dos principais ministros envolvidos – Alexandre de Moraes e André Mendonça -, Lula se manifestou em vídeos nas redes sociais e gravou mensagens também para o programa eleitoral. O foco é o STF e o banco Master.
Lula defende investigação sem blindagem no caso Master
“Fica claro que o nosso sistema político e Judiciário precisa de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, declarou o presidente.
Lula classifica o escândalo do Master como “maior roubo da história do Brasil” e afirma que Daniel Vorcaro tem relações com “gente muito poderosa”. O presidente enfatiza que foi no governo dele que o banqueiro foi preso e o Master foi liquidado, buscando se afastar do imbróglio gerado por Vorcaro no STF e também no Congresso Nacional.
Presidente cobra resposta do STF e da PGR
“Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem o processo, garantindo a integridade e a confiança nas investigações”, disse Lula.
As gravações foram feitas na noite de quinta e o material deve ser veiculado no programa eleitoral desta sexta-feira (4).
Campanha de Lula adota tom institucional sobre crise
A campanha petista modula o tom para que a fala seja mais a do presidente Lula, ou seja, com uma pegada mais institucional, do que eleitoral, expressa pelo candidato Lula.
Segundo informou a CNN Brasil, o petista deve adotar um tom mais generalista de críticas ao “sistema”, nos moldes do vídeo divulgado esta semana também pelo presidente do PT, Edinho Silva.
A ideia do PT era não deixar o silêncio total sobre a grave crise, “terceirizando” uma resposta com o vídeo de Edinho, enquanto governo e campanha amadureciam a avaliação sobre o impacto do posicionamento do próprio Lula sobre o tema.
Lula conversa com ministros do STF antes de gravar vídeos
Antes de gravar os vídeos, o presidente procurou ministros do STF e conversou sobre a crise interna deflagrada com as revelações do caso Master. Lula teria se encontrado com os ministros Edson Fachin, Gilmar Mendes e Flávio Dino.
Caso Moraes preocupa campanha petista nas eleições
Integrantes da campanha viram com preocupação o impacto do caso Moraes nas eleições. A avaliação é de que as revelações sobre conversas e encontros do ministro do STF podem reforçar narrativas da direita contra a corte e impulsionar adversários.
E a preocupação faz sentido nas campanhas da oposição que já adotaram esse tom, além de pressões no Congresso Nacional contra, especialmente, Alexandre de Moraes.
Fachin determina esclarecimentos sobre crise no STF
A reação da Presidência do STF já veio também na quinta à noite, quando o presidente a Corte, ministro Edson Fachin, abriu um procedimento determinando que Alexandre de Moraes e André Mendonça, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos sobre os fatos no prazo de cinco dias úteis.
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Fonte: Diário de Goiás
