A obesidade continua avançando em ritmo acelerado no mundo e atingiu o maior nível já registrado.
Segundo o relatório The State of Food Security and Nutrition in the World 2026, divulgado nesta terça-feira, 22, pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em parceria com outras quatro agências da ONU, 16,2% da população adulta mundial era obesa em 2024, um aumento em relação aos 12,1% registrados em 2012.
O dado evidencia um paradoxo apontado pelo estudo: ao mesmo tempo em que a fome diminui gradualmente em diversas regiões do planeta, a obesidade segue crescendo e se consolida como um dos principais desafios globais de saúde pública. Segundo a FAO, a tendência atual afasta o mundo da meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de interromper o crescimento da obesidade.
As projeções do relatório indicam que, mantido o ritmo atual, 18,6% da população adulta poderá ser obesa até 2030, percentual muito superior ao objetivo internacional de estabilizar esse indicador.
Além da obesidade entre adultos, o levantamento mostra que 5,5% das crianças menores de cinco anos estavam acima do peso em 2024, índice que também permanece acima da meta global, que prevê manter a prevalência abaixo de 5%.
Mundo não deve cumprir metas de nutrição
O relatório conclui que nenhuma das principais metas globais de nutrição deverá ser alcançada até 2030 caso não haja uma aceleração das políticas públicas voltadas à alimentação saudável.
Entre os indicadores que permanecem fora da trajetória esperada estão:
• redução da obesidade adulta;
• diminuição da anemia entre mulheres de 15 a 49 anos;
• redução do baixo peso ao nascer;
• combate ao excesso de peso infantil;
• redução da desnutrição crônica e aguda em crianças;
• ampliação da amamentação exclusiva.
O documento destaca que, embora alguns indicadores tenham apresentado avanços modestos na última década, o ritmo de progresso é insuficiente para atingir os compromissos assumidos pelos países na Agenda 2030 da ONU. Alimentação saudável continua inacessível
Na avaliação da FAO, o aumento da obesidade está diretamente relacionado às dificuldades de acesso a uma alimentação saudável.
O relatório afirma que dietas nutritivas continuam fora do alcance financeiro de uma parcela significativa da população mundial, mesmo com a redução recente do número de pessoas que passam fome.
Segundo o estudo, 2,69 bilhões de pessoas ainda não conseguiam pagar por uma alimentação saudável em 2025, enquanto o custo médio global desse tipo de dieta continuou aumentando, impulsionado principalmente pela inflação dos alimentos e pelos custos de logística, processamento e distribuição. Para os autores, enfrentar a obesidade exige mais do que ampliar a oferta de alimentos.
O relatório defende políticas que reduzam o custo de frutas, verduras, legumes e proteínas nutritivas, além de investimentos em infraestrutura, cadeia de frio, pesquisa agrícola, redução de perdas e maior eficiência logística para tornar dietas saudáveis mais acessíveis.
Leia também: Brasil está fora do Mapa da Fome da ONU após três anos, aponta novo relatório da ONU
O post Obesidade bate recorde mundial e avança mesmo com queda da fome, alerta relatório da FAO apareceu primeiro em Jornal Opção.
Acompanhe mais notícias em nosso site.
Obesidade bate recorde mundial e avança mesmo com queda da fome, alerta relatório da FAO
A obesidade continua avançando em ritmo acelerado no mundo e atingiu o maior nível já registrado. Segundo o relatório The State of Food Security and Nutrition in the...