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Bastidores

“Não estamos criando um novo banco”, afirma presidente da GoiásFomento sobre PequiBank

O presidente da GoiásFomento, Rivael Aguiar, afirmou que o PequiBank não será um novo banco estatal, mas sim uma plataforma tecnológica integrada de serviços financeiros, sociais e de...

O presidente da GoiásFomento, Rivael Aguiar, afirmou que o PequiBank não será um novo banco estatal, mas sim uma plataforma tecnológica integrada de serviços financeiros, sociais e de gestão pública. Em entrevista concedida ao editor-chefe do Diário de Goiás, Altair Tavares, o dirigente explicou que o projeto funcionará como um “super app”, reunindo operações de crédito, programas sociais, pagamentos e integração entre empresas e beneficiários de políticas públicas. Segundo Rivael, a principal confusão em torno do projeto está justamente no nome “PequiBank”, que leva parte da população a acreditar na criação de uma nova instituição financeira estatal. Ele rebateu diretamente essa interpretação e ressaltou que não existe qualquer iniciativa para criação de um novo banco público em Goiás: A resposta direta é não. Em hipótese alguma estamos criando um novo banco. Mesmo que quisesse, o Banco Central não autorizaria a criação de um banco. De acordo com ele, o PequiBank será uma plataforma digital desenvolvida em parceria com a empresa privada Stark Bank, responsável pela tecnologia e pela integração dos serviços financeiros. O aplicativo será utilizado principalmente por empresários atendidos pela GoiásFomento e beneficiários de programas sociais do Estado. “Quando se fala PequiBank, entenda que é uma plataforma tecnológica, é um aplicativo que vai integrar uma série de serviços. Ela vai ser um super app”, explicou. O avanço do projeto também já começou a ganhar respaldo no Legislativo estadual. Na última quinta-feira (21), o Plenário da Assembleia Legislativa de Goiás aprovou, em primeira fase, a proposta do Executivo que institui o PequiBank como uma plataforma digital integrada voltada a beneficiários de programas sociais e servidores públicos estaduais. A matéria foi apreciada durante sessão ordinária híbrida realizada no Plenário Iris Rezende e integra o pacote de modernização administrativa e tecnológica defendido pelo Governo de Goiás. Plataforma integrará crédito, pagamentos e programas sociais Durante a entrevista, Rivael detalhou que o principal objetivo do PequiBank é conectar diferentes serviços atualmente dispersos dentro da estrutura da GoiásFomento. Hoje, por exemplo, clientes que contratam crédito pela agência recebem recursos por meio de bancos tradicionais, sem integração direta com fornecedores ou demais programas estaduais. Com o novo sistema, a proposta é unificar operações financeiras, pagamentos, cartões, programas sociais e até serviços relacionados ao mercado de trabalho dentro de uma mesma plataforma digital. Segundo ele, a iniciativa permitirá ampliar a eficiência do Estado e criar novas conexões econômicas entre empresas e beneficiários. Atualmente, a GoiásFomento possui cerca de 3,5 mil clientes ativos na carteira de crédito e uma rede de aproximadamente 4 mil empresas credenciadas para recebimento de recursos de programas sociais. Além disso, o Estado conta com mais de 120 mil beneficiários dessas políticas públicas. “Nós estamos falando de mais de 7 mil empresas e mais de 120 mil beneficiários de programas sociais”, destacou. Inteligência artificial poderá conectar vagas de emprego a beneficiários Um dos pontos mais destacados da entrevista foi o uso de inteligência artificial dentro da plataforma. Segundo Rivael Aguiar, o sistema poderá identificar oportunidades de emprego ofertadas por empresas cadastradas e cruzar automaticamente essas vagas com perfis de beneficiários de programas sociais. A proposta prevê que o cidadão receba diretamente no WhatsApp sugestões de vagas compatíveis com sua localização e perfil profissional. Caso o trabalhador ainda não tenha qualificação adequada para determinada oportunidade, a própria plataforma poderá encaminhar a demanda para programas de capacitação do governo estadual. “A própria IA vai identificar um perfil dentro dos beneficiários de programas sociais que possa preencher aquela vaga. A pessoa vai poder receber uma mensagem de uma oferta de emprego no WhatsApp dela”, explicou. Segundo ele, o sistema também ajudará o governo a planejar cursos profissionalizantes com base nas demandas reais do mercado de trabalho. Contratação da Stark Bank passou por processo rigoroso Rivael afirmou que a contratação da empresa responsável pela plataforma ocorreu após um chamamento público lançado pela GoiásFomento no fim de 2025. O edital permaneceu aberto por cerca de 40 dias e foi dividido em etapas de habilitação, qualificação técnica e análise de integridade. Segundo o presidente da agência, apenas a Stark Bank conseguiu atender integralmente aos critérios estabelecidos no edital. Ele explicou que a seleção utilizou parâmetros regulatórios que o Banco Central só deverá exigir oficialmente em 2027. “Nós tivemos que pegar a regra de 2027 estabelecida pelo Banco Central e antecipar ela para agora”, afirmou. A análise incluiu auditorias externas e procedimentos de due diligence voltados à verificação de riscos financeiros, compliance e rastreabilidade das operações. O dirigente afirmou que a intenção era evitar fragilidades semelhantes às identificadas recentemente em algumas fintechs investigadas no país. “A empresa teve que provar que todas as contas dela são rastreadas, têm identificação e segregação patrimonial”, ressaltou. Governo afirma que projeto terá autonomia financeira Outro ponto enfatizado por Rivael é que o PequiBank não utilizará recursos públicos para custear sua operação. Segundo ele, o sistema terá uma contabilidade própria e deverá se sustentar financeiramente com receitas geradas pela utilização da plataforma, como taxas operacionais, movimentações financeiras e serviços integrados. Ele explicou que, caso haja déficit operacional, a responsabilidade financeira será do parceiro privado contratado, e não do Estado. “Ele vai ter que sobreviver por conta própria, com receita própria. Não vai ter repasse do governo nem da GoiásFomento para se manter”, disse. Migração dos programas sociais será gradual O presidente da GoiásFomento também esclareceu que os atuais programas sociais administrados pelo Estado continuarão funcionando inicialmente com a estrutura já existente. Hoje, parte dessa operação é realizada pela empresa Integra, responsável pelos cartões utilizados em redes credenciadas. Segundo ele, o PequiBank será implementado em etapas. Em um primeiro momento, a plataforma trabalhará com cartões pré-pagos da bandeira Mastercard. Somente em fases posteriores ocorrerá a migração completa dos programas sociais para dentro do novo sistema. Rivael afirmou que o objetivo é fazer essa transição de forma gradual e segura, mantendo integração entre os contratos já existentes e a nova plataforma digital. GoiásFomento aposta em transparência para esclarecer dúvidas Ao longo da entrevista, o presidente da GoiásFomento reconheceu que ainda existe resistência e desinformação em torno do projeto. Segundo ele, o governo estadual pretende ampliar o diálogo com setores produtivos, entidades representativas e parlamentares para explicar o funcionamento da iniciativa. Ele citou ainda que todos os documentos relacionados ao chamamento público estão disponíveis no site da GoiásFomento, incluindo questionamentos, impugnações e respostas técnicas. “Não tem um novo CNPJ, não tem criação de instituição, não tem estrutura administrativa de cargos, não tem aumento de despesa de pessoal”, concluiu. 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