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Cidades

Mudanças climáticas: como transformar o que você vê no dia a dia em conhecimento

Mudanças climáticas, sustentabilidade e transição energética parecem assuntos gigantes, mas podem estar muito mais perto do estudante do que ele imagina. O caminho até a escola, o meio de transporte usado no...

Mudanças climáticas, sustentabilidade e transição energética parecem assuntos gigantes, mas podem estar muito mais perto do estudante do que ele imagina.

O caminho até a escola, o meio de transporte usado no dia a dia, a quantidade de chuva no bairro e até a proximidade de um rio são situações que podem ajudar a entender fenômenos que aparecem todos os dias no noticiário.

Para a professora de Geografia e doutoranda em Geografia pela UFG, Kalinka Ribeiro, levar esses temas para a sala de aula significa justamente começar pela realidade dos próprios alunos.

Assista à entrevista

Para conversar sobre como assuntos atuais podem se transformar em aprendizado no Ensino Fundamental, o Ser Goiás na TV recebeu Kalinka Ribeiro. Na entrevista, a professora fala sobre mudanças climáticas, transição energética, desinformação e a importância de aproximar o conhecimento científico daquilo que os estudantes vivem.

Confira a entrevista no vídeo.

Começa no cotidiano

Para Kalinka, trabalhar sustentabilidade com estudantes mais jovens não precisa ser visto como um desafio. Isso porque muitos dos efeitos relacionados ao clima já fazem parte da experiência deles. “Eles estão vivenciando muito isso, estão experimentando muito disso”, afirma.

Por isso, a professora defende uma Geografia que parta das experiências dos estudantes. “Eu sempre parto daquilo que o aluno também traz, das suas vivências, das suas experiências”, explica. A partir daí, a escola pode ajudar a transformar dúvidas e informações fragmentadas em conhecimento científico.

Da gasolina à transição energética

Um dos exemplos usados pela professora é a transição energética. Em vez de apresentar o conceito de forma abstrata, ela começa com perguntas simples: quais meios de transporte fazem parte da rotina do aluno? De quais fontes de energia dependemos? O que acontece quando um recurso é limitado e ainda provoca impactos ambientais?

A partir dessas relações, o estudante começa a construir suas próprias perguntas. “Mas se um recurso pode acabar, se polui, nós precisamos, então, criar uma outra alternativa”, relata Kalinka sobre a conclusão a que os próprios alunos chegam durante as discussões.

Esse caminho também ajuda a desenvolver o senso crítico. Para a professora, não basta ter acesso à informação: é preciso aprender a analisar o que chega até o estudante. “O papel da escola é exatamente esse: o lugar do conhecimento, do conhecimento sistematizado”, afirma.

Quando o noticiário vira investigação

As enchentes no Rio Grande do Sul também serviram como ponto de partida para uma atividade em sala de aula. Em vez de apenas discutir o desastre, os estudantes analisaram a própria região onde vivem. Com mapas e o Google Earth, observaram a proximidade dos rios, a ocupação dos bairros e as mudanças ocorridas ao longo dos anos.

A investigação ajudou a mostrar que os impactos das chuvas não são explicados por um único fator. Os alunos perceberam relações entre ocupação urbana, relevo, proximidade dos rios, infraestrutura, condições econômicas e desmatamento.

“Eles começaram a perceber que eram áreas que estavam mais próximas dos rios, mas que, ao longo desses anos, foram ocupando espaços muito próximos”, conta a professora.

Aprender para entender o mundo

A proposta é fazer com que o conhecimento ultrapasse a sala de aula. Para Kalinka, quando o estudante consegue relacionar sua vivência ao conhecimento científico, aquilo passa a ter significado. “É um conhecimento e um aprendizado cheio de significado, cheio de sentido, que leva em conta a minha vivência, as minhas experiências”, resume.

Nesse processo, a curiosidade tem papel importante. Uma pergunta sobre a chuva, a energia ou o bairro onde o estudante mora pode abrir caminho para conceitos de Geografia, Ciências, meio ambiente e até questões sociais e econômicas.

Mais do que decorar informações sobre mudanças climáticas, a ideia é aprender a observar, questionar e entender o que acontece ao redor.

Ser Goiás na TV

O Ser Goiás na TV é um programa educativo diário produzido pela Fundação Sagres, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), que amplia a experiência da sala de aula por meio da televisão ao integrar comunicação e educação. 

O programa aborda o reforço escolar, a recomposição das aprendizagens e os desafios contemporâneos da educação básica, oferecendo conteúdo construtivo, instrucional e orientador para estudantes, famílias e comunidade, com entrevistas, videoaulas e diretrizes pedagógicas alinhadas às políticas educacionais, em consonância com o ODS 4 – Educação de Qualidade, da Organização das Nações Unidas, reafirmando o compromisso com uma aprendizagem inclusiva, equitativa e transformadora. 

Todos os dias, uma edição inédita, a partir das 14h, na Demà Sagres TV.

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Fonte: Sagres Online

Marielle SouzaJornalista