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Economia

Metrobus é a quinta empresa do Brasil com maior disponibilidade de caixa no ramo de transportes

A Metrobus, estatal que opera o transporte coletivo de Goiânia no Eixo Anhanguera e sistema BRT, ficou em quinto lugar do país entre as empresas do setor com...

A Metrobus, estatal que opera o transporte coletivo de Goiânia no Eixo Anhanguera e sistema BRT, ficou em quinto lugar do país entre as empresas do setor com maior liquidez corrente.

O ranking foi publicado pela revista Maiores do Transporte & Melhores do Transporte e exibido no Seminário Nacional da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), em São Paulo.

A liquidez imediata indica o dinheiro disponível agora mesmo em caixa, contas de banco ou aplicações financeiras de resgate instantâneo para pagar dívidas de curto prazo, sem depender de vendas futuras ou estoque.

O primeiro lugar ficou com a Guarulhos Transportes S.A., com R$ 4,52 milhões. Depois aparecem Viação Capital do Oeste (PR), com R$ 4,11 milhões; Mobi Rio (RJ), com R$ 2,71 milhões; Viação Grajaú S.A. (SP), com R$ 2,69 milhões; e a Metrobus, com R$ 2,15 milhões. Entre as estatais, portanto, a goiana lidera.

Ao DG, o diretor-presidente da Metrobus, Francisco Caldas, explicou que o resultado se deve sobretudo a três fatores: a profissionalização da empresa, o subsídio do Estado e a melhoria na prestação de serviço, que trouxe de novo o usuário para o sistema.

Confira a entrevista na íntegra

DG: O que significa, do ponto de vista institucional, para a Metrobus e o governo, a empresa ser a quinta melhor do país em liquidez corrente?

FC: Não só para a Metrobus, mas para todo o mercado de transporte que abastece a região metropolitana de Goiânia, o que acontece é uma evolução financeira, contábil e econômica nos últimos quatro ou cinco anos. Era uma empresa que tinha uma sucessão de passivos cíveis e trabalhistas elevados.

Conseguimos avançar e resolver aproximadamente 72% desse passivo. Ainda estamos em fase de melhorar essa liquidez.

Mas isso sintetiza um avanço extraordinário. Em paralelo, a empresa operando em sistema de consórcio no BRT de Goiânia, oferece os melhores indicadores de regularidade, pontualidade e largada de veículos.

Claro que nenhuma dessas evoluções poderia ser feita sem certo apoio de todo o mercado que nos integra. Nossa frota é renovada, através de cessão não onerosa, operamos ônibus a biometano, somos a primeira empresa do mundo a operar ônibus biarticulado elétrico.

Temos hoje o maior parque eletroposto do Brasil em Goiânia. Essa reflexão desse modelo de transporte se traduz numa melhora do panorama fiscal da empresa, ou seja, do equilíbrio socioeconômico, dos passivos cíveis e trabalhistas, do sistema contábil.

O que queremos dizer é que existe solução para empresas em dificuldade econômica. Um ponto fundamental hoje é que todos os fornecedores que prestam serviço recebem em dia.

DG: Liquidez é dinheiro em caixa para pagar compromisso, né?

FC: É até mais do que isso. É responsabilidade para dizer para o fornecedor: ‘você pode entregar um serviço para a Metrobus que você vai receber, o que nós queremos é um serviço de qualidade’.

DG: Antes desse ajuste, qual era e quanto era o endividamento da empresa, que estava num processo de falência?

FC: A empresa tinha passivos, só de ordens cíveis, de mais de R$ 120 milhões, fora os passivos trabalhistas. Era uma empresa com dificuldade muito grande, não estou fazendo juízo de valor, de honrar os compromissos com os fornecedores.

Além disso, tinha uma frota envelhecida e prestava um serviço que deixava muito a desejar. Era uma frota a diesel, não como hoje, com combustível sustentável.

Ainda operamos um pouco da frota a diesel. Em menos de um ano vamos transformar toda a frota em ambientalmente sustentável.

Ou seja, tanto em biometano como elétrico. Isso tudo reflete em crescimento da demanda que transportamos, uma qualidade de serviço maior e, naturalmente, uma melhora de qualidade fiscal.

Houve uma dificuldade muito grande de sinalizar ao mercado que a Metrobus é uma empresa confiável. Que ela pode receber peças e serviços de quaisquer natureza e de que nossos fornecedores vão receber em dia.

Isso se traduz em melhora da qualidade de serviço e melhora da receita.

DG: Qual o futuro da Metrobus?

FC: Esperamos, primeiro, completar a transição para combustíveis sustentáveis. Ainda falta um período, da ordem do ano, para renovar o resto da frota para ônibus a biometano ou elétricos.

De posse disso, estamos inseridos num consórcio. Existe uma previsão do novo Planejamento Operacional da região metropolitana que nós façamos, ao longo dos próximos cinco anos, um crescimento na oferta de serviços, naturalmente no recebimento de demanda e na tradução de receitas.

Seguimos fielmente isso. A Metrobus tem um plano estratificado até 2030 de toda natureza do seu quadro fiscal, operacional e de manutenção.

Estamos no Brasil, temos muitas incertezas, mas está desenhado. Claro, se houver alteração, ajustamos.

O futuro da Metrobus é prestar um bom serviço, ser referência e deixar o cidadão da região metropolitana confiante de ter o melhor transporte.

DG: Qual o papel de Caiado nesse ajuste?

FC: Foi extraordinário. Desde o início, ele deu total autonomia para transformar a Metrobus numa empresa puramente profissional.

Temos hoje quadros técnicos que vieram da área de transporte – do Metrô de São Paulo, do transporte do Rio de Janeiro e os quadros excelentes que tínhamos em Goiânia. É uma empresa hoje voltada exclusivamente a prestar um serviço técnico.

Não tem qualquer outra natureza que não seja essa. O que podemos fazer é agradecer o senso de profissionalismo do governador que entendeu que a região metropolitana merece um transporte de qualidade e, em momento algum, pensou em utilizar a empresa senão para esse fim.

Crédito também deve ser dado ao secretário Adriano, à época da SGG, que olhou com muita parcimônia e entendeu que o mercado de transporte merecia, não só para Metrobus, todo o influxo. Hoje operamos uma parte da tarifa que é subsidiada e alimenta nosso equilíbrio econômico-financeiro.

DG: O subsídio ajudou então?

FC: Ajudou profundamente. Antigamente era baseada totalmente na tarifa paga pelo usuário. Hoje nos assentamos num modelo de oferta que tem a tarifa técnica que complementa parte disso e nos ajuda no equilíbrio econômico-financeiro.

DG: Isso naturalmente impacta sobre as outas empresas do sistema…

FC: É inegável dizer que todas elas, não só a Metrobus, prestam um serviço melhor que há cinco. Todo esse mercado saiu de uma pandemia violenta, que pressionou demais a oferta de serviço.

Ou seja, apesar de estarmos buscando uma demanda que estava presa no sistema, mas que a pandemia afetou, cremos vivamente que vamos recuperar e ofertar o melhor serviço que a sociedade de Goiás merece.

DG: A Metrobus, na lista, é a melhor estatal do Brasil…

FC: Olha, do ponto de vista fiscal, está muito bem inserida. Mas é aquilo que costumamos dizer: precisamos calçar as sandálias da humildade e ser melhor ainda.

Inclusive na prestação de serviço. Nossos ônibus precisam ser mais pontuais, oferecer melhor qualidade, a condutibilidade, a regularidade.

E, naturalmente, nosso equilíbrio fiscal. Do ponto de vista de ser estatal ou privada, isso é uma discussão de regulação econômica, mas nossa obrigação, seja estatal ou privada, é ser o melhor parceiro para ofertar serviço de transporte coletivo urbano na região que atuamos.

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