O escritório de advocacia do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, emitiu e cancelou duas notas fiscais no valor total de R$ 1 milhão em favor de uma empresa de fachada (sem sede própria ou site) que teria sido usada por Daniel Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões do Banco Master. A informação é mais uma crise na campanha, faltando dois dias para a convenção nacional do PL.
As duas empresas tinham, à época, ligação com Artur Figueiredo, associado a fundos investigados no caso Banco Master. As notas emitidas, que não são negadas pelo senador, alertam que as conexões entre Flávio e Vorcaro vão além das reveladas até agora na crise do filme Dark Horse.
Até aqui, além de se tornar público que o presidenciável conseguiu dinheiro com o dono do Master para financiar o filme do pai, ele foi flagrado em diferentes conversas com Vorcaro, circulou fotografia do senador ao lado do chamado “Sicário”, homem encarregado de atos violentos contra desafetos do ex-banqueiro, e há rumores sobre vídeos de teor íntimo dele em festas que eram promovidas por Daniel Vorcaro com prostitutas vestidas de “astronautas”.
Reportagem aponta emissão e cancelamento de notas fiscais de R$ 1 milhão
A informação sobre as notas foi publicada na quarta-feira (22) pelo portal Metrópoles. “As duas notas, no valor de meio milhão de reais cada, foram emitidas no dia 7 de abril de 2025 pelo escritório que tem Flávio Bolsonaro como único sócio e eram relacionadas a serviços prestados à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A.
Na mesma ocasião, foram canceladas. Naquele momento, Vorcaro já tinha injetado milhões na empresa de consultoria”, informou o portal. Ainda segundo a reportagem, em 9 de abril, o escritório de Flávio faturou uma terceira nota, também de R$ 500 mil, desta vez em favor da Contábil Correa. “Nesse caso, não há registro de cancelamento”.
Empresas citadas têm ligação com contador investigado pela PF
As duas firmas guardam como elo o contador Rogério Lourenço Novo. Segundo a reportagem, ele aparece na Receita Federal como o único diretor responsável pela Copenhagen, empresa da qual diz ser dono. Também consta como o único sócio da Contábil Correa. Rogério ainda figura como membro efetivo do conselho fiscal da Ambipar, outra empresa da teia de Vorcaro.
O contador já foi investigado pela Polícia Federal por supostamente operar um esquema de notas fiscais falsas de empresas de fachada para evadir impostos entre 2013 e 2015. A fraude foi estimada em mais de R$ 100 milhões. Ele chamou a contratação do escritório de Flávio de “quarteirização”. Leia mais adiante.
Conforme o portal, as duas notas emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro e depois canceladas indicavam a prestação de serviços de consultoria jurídica para a Copenhagen, “uma empresa que não tem sede própria nem site. Na Receita Federal, está registrada no endereço da Contábil Correa, um prédio comercial em São Caetano do Sul”.
Criada em novembro de 2024 e com capital de apenas R$ 40, a Copenhagen se tornou uma das 10 empresas que mais receberam dinheiro do Master, segundo apurou o Metrópoles. Flávio Bolsonaro afirma que recusou prestar serviço à Copenhagen
O assunto teve grande repercussão desde a noite de quarta-feira.
Em nota, Flávio Bolsonaro confirmou que prestou serviços jurídicos à Contábil Correia, mas disse que isso ocorreu “dentro da legalidade” e que recusou trabalhar para a Copenhagen, motivo pelo qual as notas fiscais foram canceladas. Ele não detalhou o motivo da recusa de prestar o serviço. O senador destacou ainda que não é investigado no caso.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Flávio acusa o Metrópoles de perseguição e diz que o portal também faturou notas fiscais de uma das empresas.
Senador nega relação com o Banco Master e promete medidas judiciais
“Diante de tentativas de vincular falsamente meu nome ao Banco Master, esclareço o que segue:
Firmei contrato de prestação de serviços de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contabil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda., empresa de contabilidade e auditoria que atende mais de 200 empresas e clientes em São Paulo.
Em determinada ocasião, fui consultado sobre a possibilidade de prestar serviços a uma cliente da BR Global, a Copenhagen Assessoria. Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo o meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen Assessoria, razão pela qual as notas fiscais foram cancelas. Ou seja, estou sendo ‘acusado’ de NÃO receber alguma coisa.
Não tenho e jamais tive conhecimento de qualquer relação ou vinculação entre a BR Global ou a Copenhagen e o Master. Qualquer tentativa de me associar a este banco é capciosa, desprovida de qualquer fundamento fático e será tratada com as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, contra quem lhe der causa.
Por fim, como não sou investigado e meus dados são sigilosos, não poderiam estar em nenhuma investigação formal. Recai a suspeita de que órgãos governamentais, com fins eleitoreiros, tenham vazado dados protegidos por sigilo fiscal à imprensa.
Conduta gravíssima, ilegal que será objeto de representação aos órgãos competentes para responsabilização dos autores.”
Contador diz que contratou escritório para atender clientes de sua empresa
Ao Metrópoles, Rogério Lourenço Novo admitiu que é o dono da Copenhagen desde setembro de 2025.
Ele afirma ter contratado o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços “aos clientes do seu escritório de contabilidade”, no que chamou de “quarteirização”. Perguntado para quais dos seus clientes Flávio Bolsonaro prestou serviço, Rogério Lourenço Novo diz que tem mais de 200 e não se lembra nem para quem nem o que foi feito. O contador pediu um tempo para buscar as informações, mas não retornou a ligação.
A Trustee DTVM sustenta que não tinha ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen nem sobre a definição de qualquer pagamento ou negociação entre a companhia e o Banco Master para ocultar patrimônio de quem quer que seja. O post Flávio Bolsonaro emite e cancela notas de R$ 1 milhão para empresa ligada ao Banco Master; senador nega irregularidades foi publicado primeiro em Diário de Goiás.
Fonte: Diário de Goiás
