A prefeitura de Anápolis pagou, em 2025, cerca de R$ 27 milhões mensais em salários para servidores que ficaram afastados por atestados médicos.
A conta da administração revela que 58% de um total de pouco mais de 7 mil servidores, ou seja, 4.550, apresentaram, em algum momento do ano passado, um atestado que exigiu que ela não comparecesse ao trabalho. A informação foi divulgada primeiro pela TV Anhanguera e confirmada pelo DG.
Para se ter ideia do tamanho do prejuízo, a folha salarial mensal do município é de R$ 54 milhões. Portanto, metade do valor pago em salários foi para servidores que, em algum momento, estavam fora da força de trabalho.
Diante do alto número de profissionais afastados por determinação médica, foi aberta uma investigação interna e há indícios de uma ação coordenada e criminosa.
A suspeita da prefeitura é de que médicos cedem atestados a servidores – mesmo sem necessidade – e recebem contrapartidas financeiras, uma vez que a maioria deles não é falsificado. O caso foi levado à Polícia Civil e ao Ministério Público de Goiás, que conduzem investigações sigilosas a respeito.
Há dois casos tidos como escabrosos pela administração. Um deles é de um professor, que ficou afastado por cerca de um ano, e recebeu, em 2025 – sem trabalhar -, o montante de R$ 265 mil.
Este mesmo profissional tinha um cargo no governo estadual, que exerceu enquanto tinha atestado no município, e lhe rendeu mais de R$ 200 mil em salários no mesmo período.
Situação semelhante é a de um médico, que recebeu R$ 360 mil dos cofres do município no ano passado sem trabalhar, uma vez que estava afastado por atestado. Contudo, manteve o exercício da função num cargo federal, que lhe dá remuneração de mais de R$ 20 mil mensais.
Não há irregularidade na cumulação de cargos públicos. Todavia, ambos devem ser exercidos em horários compatíveis.
Junta médica
O Estatuto dos Servidores de Anápolis define que um servidor pode ficar afastado do trabalho por condição médica por até dois anos. No entanto, deve passar por avaliação periódica da junta médica da prefeitura. Ao fim do prazo, se for considerado inapto para voltar à função, pode ser aposentado ou requalificado para outro cargo.
Médicos que atuam na Junta também relataram que se depararam com atestados falsos, assinados por eles próprios sem que jamais tenham estado com o paciente em questão. Estes casos também são apurados em processos administrativos e podem culminar até na demissão dos servidores.
Ressarcimento
A prefeitura de Anápolis, além de ter denunciado a farra dos atestados ao Ministério Público e à Polícia Civil, também quer pedir o ressarcimento dos valores pagos a funcionários que comprovadamente utilizaram de má-fé na apresentação de atestados – sejam eles falsos ou verdadeiros, mas desnecessários.
O post Farra dos atestados: prefeitura de Anápolis pagou R$ 27 milhões por mês para servidores afastados foi publicado primeiro em Diário de Goiás.
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