Se você já passou do 5º para o 6º ano, provavelmente percebeu: de uma hora para outra, a escola parece ter mudado completamente. Antes, um professor podia acompanhar boa parte da rotina. Depois, chegam novos docentes, mais disciplinas, diferentes formas de ensinar e uma quantidade maior de conteúdos para acompanhar.
Mas por que essa mudança pode parecer tão grande? De acordo com Osvaldo Rocha, técnico pedagógico da Gerência de Ensino Fundamental da Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), a passagem para o 6º ano representa um salto importante na vida escolar e exige atenção tanto da escola quanto da família.
“Você saindo do quinto ano, terminando a terminalidade dos anos iniciais, para o sexto ano. Lá você tinha um professor apenas, uma unidocência”, explica.
A mudança fica ainda maior quando o estudante precisa trocar de escola ou passa a frequentar um espaço maior. Para Osvaldo, é justamente nesse momento que o acolhimento se torna fundamental. “É um momento que a palavra de ordem é acolhimento”, afirma.
Agora são vários professores
Uma das primeiras diferenças que o estudante percebe é a quantidade de professores. Em vez de ter uma única referência em sala, ele começa a conviver com profissionais diferentes para cada componente curricular.
E não é só o nome dos professores que muda. Cada um pode ter seu jeito de ensinar, sua personalidade e sua metodologia.
“Ele vai ter um professor mais carismático, ele vai ter um professor mais rígido, ou seja, ele vai estar lidando com várias nuances de professores, características diferentes, metodologias didáticas diferentes”, explica Osvaldo. Isso significa que o estudante também precisa desenvolver novas formas de organização e adaptação.
É uma nova rotina, com mais conteúdos, diferentes horários e a necessidade de acompanhar o ritmo de cada aula. “Ele vai ter um caderno agora com 10 matérias, 15 matérias para ele fazer as anotações, acompanhar o tempo do professor, porque agora ele tem um prazo, 50 minutos cada aula”, destaca.
E se eu estiver com dificuldade?
Sentir estranhamento no começo faz parte do processo. Para ajudar, a escola pode apresentar ao estudante, ainda no 5º ano, um pouco da rotina que ele encontrará pela frente.
Uma das estratégias utilizadas por algumas escolas é criar um “dia do sexto ano”, permitindo que os alunos conheçam antecipadamente as novas disciplinas, os espaços e a dinâmica das aulas.
“Ele tem um dia, uma semana de sexto ano para entender como é que funciona”, conta Osvaldo.
Para o especialista, conhecer a nova realidade antes da mudança ajuda a evitar que o impacto seja tão grande. “Essas situações ajudam essa transição não ser tão brusca, não ser tão traumatizante para o estudante que está vindo lá do quinto ano”, afirma.
Você não precisa descobrir tudo sozinho
Outra mudança acontece na própria forma de aprender. O estudante chega ao 6º ano com conhecimentos construídos nos anos anteriores, mas passa a encontrar desafios que exigem novas habilidades.
Osvaldo relaciona esse processo à teoria da Zona de Desenvolvimento Proximal, de Lev Vygotsky, que considera a diferença entre aquilo que o aluno já consegue fazer e aquilo que pode desenvolver com a ajuda de alguém mais experiente.
“A real é aquele que ele já está trazendo, a bagagem que ele está trazendo cognitiva do quinto ano, e a potencial é aquela que ele ainda precisa de um par mais experiente”, explica.
Por isso, pedir ajuda ao professor, conversar com a coordenação e compartilhar as dificuldades são atitudes importantes nessa fase.
Família também entra no jogo
A adaptação não acontece somente dentro da sala de aula. A família também pode ajudar o estudante a entender e enfrentar as mudanças.
Mesmo quando o aluno começa a conquistar mais autonomia, o apoio dos pais ou responsáveis continua sendo importante. “Quando a família dá esse apoio, a transição fica muito mais suave”, destaca Osvaldo.
E não precisa ser complicado. Muitas vezes, uma conversa aberta já ajuda. “Esse processo pode ser facilitado simplesmente com diálogo”, afirma.
Perguntar como foi o dia, ouvir as dificuldades e conversar sobre as novas disciplinas são maneiras de acompanhar essa mudança sem transformar cada dificuldade em um problema.
Conhecer a nova escola também ajuda
Outra dica é conhecer o ambiente antes de precisar enfrentar sozinho todas as novidades. Durante a experiência como professor, Osvaldo conta que costumava levar os estudantes para conhecer diferentes espaços da escola. “Fazia aquele tour pela escola”, lembra.
Ele também recomenda que os alunos conheçam turmas de anos seguintes, como o 7º e o 8º ano. A ideia é fazer com que eles se familiarizem com o ambiente e percebam que aquela nova realidade pode ser construída aos poucos.
A Gerência de Ensino Fundamental da Seduc-GO afirma que mantém orientações e programas voltados para esse processo de transição. Segundo Osvaldo, as ações alcançam cerca de 45 mil estudantes que chegam ao 6º ano.
Então, se o 6º ano pareceu — ou ainda parece — um universo completamente diferente, saiba que essa sensação faz parte da mudança. Novos professores, novas matérias e novas responsabilidades significam também uma oportunidade de descobrir novas formas de aprender e de se relacionar com a escola.
SER Goiás na TV
O SER Goiás na TV é um programa educativo diário produzido pela Fundação Sagres, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), que amplia a experiência da sala de aula por meio da televisão ao integrar comunicação e educação.
O programa aborda o reforço escolar, a recomposição das aprendizagens e os desafios contemporâneos da educação básica, oferecendo conteúdo construtivo, instrucional e orientador para estudantes, famílias e comunidade, com entrevistas, videoaulas e diretrizes pedagógicas alinhadas às políticas educacionais, em consonância com o ODS 4 – Educação de Qualidade, da Organização das Nações Unidas, reafirmando o compromisso com uma aprendizagem inclusiva, equitativa e transformadora.
Todos os dias, uma edição inédita, a partir das 14h, na Demà Sagres TV.
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Esta matéria foi publicada originalmente no portal Sagres Online.
