São Paulo – O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) quebre o sigilo de todas as investigações que envolvem o escândalo do Banco Master, a fraude do INSS e a produção do filme Dark Horse.
Em entrevista ao Estadão nesta quinta-feira, 3, o ex-governador de Goiás defendeu que os eleitores tenham acesso a todas as apurações que envolvem os postulantes ao Planalto.
“Você não pode deformar o processo democrático pela omissão de oferecer ao cidadão as informações corretas sobre cada um dos políticos que estão disputando uma eleição”, declarou Caiado, que, ao citar o ditado popular “pau que dá em Chico, dá em Francisco”, defende que não haja vazamento seletivo das investigações.
“É importante que o Supremo tenha a responsabilidade de poder quebrar o sigilo de todas essas denúncias que existem, de todas as operações que existem, para que a democracia não sofra um golpe, ou seja, amanhã o eleitor vote em alguém que, depois do dia 4 de outubro, vai ver que está lá na lista do INSS, do Dark Horse ou do Master.”
Segundo entrevistado da série do Estadão com os presidenciáveis, Caiado defendeu ainda o afastamento do ministro Alexandre de Moraes da Corte e afirmou que a sua eventual permanência no cargo provoca “tensão” e “desestabiliza a democracia brasileira”.
Com apenas 1% das intenções de voto na mais recente rodada da Quaest, Caiado criticou a candidatura do psiquiatra Augusto Cury (Avante), que atingiu 10% no mesmo levantamento, afirmando ser “difícil” imaginar alguém sem experiência “aprender a governar na cadeira da Presidência da República diante de um quadro tão grave” como o que o País vive.
Na área econômica, Caiado também criticou a possibilidade de fazer um ajuste fiscal “em cima” dos aposentados, a partir de medidas como a desindexação das aposentadorias do salário mínimo, defendida por economistas, e prometeu, se eleito, cortar emendas parlamentares impositivas e enxugar incentivos fiscais.
As pesquisas de intenção de voto têm mostrado, desde o início, dois candidatos mais à frente, Lula e Flávio Bolsonaro, e os demais tentando chegar um pouco mais perto deles. Nesses últimos dias, vimos o crescimento do Augusto Cury, que em algumas pesquisas já pontua com 10% e 11%. Como o senhor espera, a partir de agora, virar esse jogo?
Eu entendo que a campanha começou a ter atenção da população depois que começamos com o horário de televisão, os debates – que, infelizmente, os dois candidatos não aparecem – e, agora, as sabatinas dos demais veículos de comunicação do Brasil.
O que eu entendo é que, neste momento, a sociedade está muito descrente da política e, num primeiro momento, ela rotula todo mundo como “político”.
Eu acredito que vai ter o momento em que ela vai analisar a vida pregressa, a pessoa que se apresenta como candidata, e aí nós temos dois minutos para apresentar todo o nosso projeto de governo. E esse projeto de governo vem acompanhado de 40 anos de vida pública, sem nenhuma mácula, sem nunca estar envolvido em corrupção.
Mas você vai perguntar: “Isso não é obrigação?” Sim, sem dúvida. Isso não pode ser uma condicionante maior se todos vivessem nessa situação.
Nós vamos poder discutir aqui temas de programa de governo, de resultados obtidos na minha trajetória de deputado, senador e governador de Estado.
Com a experiência acumulada para poder chegar ao governo hoje, à Presidência da República, e administrar essa situação que é gravíssima, de uma desordem institucional instalada no País, com um processo de corrupção que atinge todos os poderes da República.
Este é o momento em que eu acredito na necessidade da experiência e da autoridade moral para presidir o País.
Nesta quarta-feira, 2, o governador Eduardo Leite disse que ligou para o Augusto Cury para parabenizá-lo pelo seu desempenho nas pesquisas. Disse que fazia isso porque acreditava que o Cury, assim como ele, representava muito essa ideia de lutar contra a polarização existente no País hoje em dia.
Mas ele, ao mesmo tempo, disse que o candidato dele, governador, era o senhor.
O senhor acha que, em função das pesquisas, pode acontecer de pessoas, inclusive do seu partido, buscarem alguma candidatura que, no entender deles, seria mais viável?
Eu diria a você que a viabilidade de uma campanha, neste momento, deve fazer parte daquilo que seja a experiência dele e, ao mesmo tempo, a capacidade dele de representar para a sociedade brasileira resultados concretos.
Com todo o respeito ao candidato Cury, que é uma pessoa respeitada, reconhecida, mas você vai ter que enfrentar um Congresso Nacional, você vai ter que ter a mesma condição e independência junto a um Supremo, à Procuradoria-Geral da República, Tribunal de Contas da União.
Você vai ter que administrar uma crise econômica que se abate sobre o País. Você tem que, ao mesmo tempo, ter essa capacidade de poder tirar o País da crise e elevá-lo a uma condição que dê tranquilidade à população.
O momento não seria de apostar em alguém inexperiente, seria isso?
Eu diria a você que realmente é difícil você imaginar uma pessoa que não passou por nenhuma das etapas aprender a governar na cadeira da Presidência da República, diante de um quadro tão grave como este.
Ou seja, eu sou um médico, eu sou um cirurgião, até você chegar à condição de entrar numa sala cirúrgica para poder operar um politraumatizado, com lesões vasculares, ósseas e de órgãos também, não é naquele primeiro dia que você entrou na faculdade. Para ter a experiência acumulada como repórter, você também progrediu nas etapas.
Todos nós temos uma graduação no decorrer da vida para assumir um cargo. A Presidência, normalmente, exige aquilo que seja a experiência, a capacidade de diálogo, de construir maioria dentro do Congresso, saber dialogar com os demais Poderes e construir uma alternativa para o País.
Por que eu estou dizendo isso? É porque eu fui candidato com 39 anos de idade à Presidência da República.
E aí, meu pai, me chamando atenção, me disse: “Meu filho, você não tem condições de ser candidato. Você não tem um fio de cabelo branco, você não tem a experiência de vida para chegar lá.
Comece por etapas para que você amanhã almeje essa condição para ter a responsabilidade do cargo com a condição de atender à demanda que a população espera de um político”. E foi aí que eu fiz.
Chegando ao Estado de Goiás, graças a Deus, tive a oportunidade de chegar a 88% de aprovação da população.
Ou seja, é saber sair de uma crise que o Estado vivia e retornar à condição de equilíbrio fiscal do Estado, de segurança, de educação, de programa social e, ao mesmo tempo, (ter) a sociedade enxergando que eu consegui entregar até acima daquilo que eu havia me comprometido.
O Estadão revelou o relatório da PF com as mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro para o ministro Alexandre de Moraes. Há uma série de conversas envolvendo o ministro e o banqueiro, e, a partir disso, passou-se a ter uma discussão mais forte sobre a presença de Moraes no STF.
O senhor já defendeu que ele seja afastado, porque correria-se risco de uma insurgência contra decisões da Corte. O que o senhor imagina de cenário para essa insurgência?
Quem poderia praticá-la? E isso não ampliaria a desordem?
Quando uma pessoa ocupa um cargo público, ela está vestida de muitas credenciais, mas de muitos deveres. A Corte do Supremo Tribunal Federal é a última instância de recurso que a pessoa tem. (O STF) é o guardião daquilo que chama-se democracia, do Estado Democrático de Direito.
Quando, sobre aquela pessoa, recaem tantas suspeitas, denúncias como essas que vieram à tona, ela não tem mais as condições mínimas necessárias para poder estar ali respondendo pelo cargo. Isso é independente de quem quer que seja.
Ninguém pode estar acima da Constituição Brasileira.
Para você estar investido ali, naquela condição de ministro do Supremo, da Corte maior do País, qualquer posição que coloque em xeque, em dúvida, o comportamento dele, faz com que ele, inicialmente, tivesse ali, ele mesmo deveria fazer ali o seu próprio afastamento, ele mesmo renunciar àquela função do cargo.
Do contrário, todo conselho, como é o Congresso, a Câmara, o Senado ou o Supremo, tem ali também a presidência que chama todos os membros e (diz): “Olha, a sua condição não é mais possível, você estará afastado”. Isso é o que se espera de um comportamento de uma Corte, qualquer colegiado deveria se comportar assim.
Ele mesmo (Moraes) deveria fazer ali o seu próprio afastamento, ele mesmo renunciar àquela função do cargo.
O não afastamento dele ou a não renúncia dele do cargo provoca uma tensão muito grande, desestabiliza a democracia brasileira e nenhum cidadão tem o direito de desestabilizar o processo democrático, porque – é daí a minha palavra da insurgência- se amanhã alguém vem, diante de uma decisão dele, o cidadão diz assim: “Ele não está capaz para me julgar, ele não tem essas credenciais para me julgar, aí você coloca em risco esta ordem democrática que você tem no País”.
A insurgência que o senhor está dizendo seria se o próprio Senado se insurgir em relação a uma falta de decisão do Supremo, no caso, e buscar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, que seria o caminho institucional, pelo menos legal?
Não, isso aí não é insurgência, isso aí é prerrogativa. O Senado Federal tem, constitucionalmente, essa prerrogativa. Ele estará dentro das normas constitucionais, ou seja, ele pode abrir o processo de impeachment.
Então, o que o senhor está dizendo é a possibilidade realmente de você ter um esgarçamento da ordem pública, da legalidade, de tal forma que o particular resolva deixar de cumprir ordens que venham do senhor Alexandre de Moraes?
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Sim. Você pega um táxi, você vai no restaurante, você entra no mercado, você não vê outro assunto.
Se tem uma decisão de um ministro do Supremo sobre uma situação de um cidadão, ele vai dizer: “Poxa, peraí, calma lá, eu não tenho que respeitar essa decisão. Essa pessoa não tem as condições”.
Isto faz parte do decoro, isto faz parte da liturgia do cargo. A pessoa não pode, ali, na condição dele de ministro Supremo, estar com aquele nível de relacionamento, de editar contrato, de ter intimidade com uma pessoa que está promovendo o maior escândalo financeiro que o País já viu.
São regras que em qualquer democracia exige-se o decoro.
Agora, se o cidadão vai ser julgado, amanhã você tem que pagar uma multa de não sei quanto, por isso, por isso, por aquilo, (diz): ‘Não, não vou pagar”.
O Senado, ele tem a prerrogativa dele, ele construiu maioria, até o que eu soube é que o senador Carlos Viana acaba de apresentar um requerimento, dando data e hora para que o presidente Davi Alcolumbre, até hoje, ao meio-dia, decida sobre a autorização da instalação do processo de impeachment, que, do contrário, ele terá ali, também, criando um movimento interno dentro do Senado para discutir a posição do presidente.
Então, veja o quanto este processo está disseminando um desequilíbrio dentro dos outros Poderes.
Se o ministro Alexandre Moraes renunciasse à condição de ministro Supremo e respondesse por esses atos fora da condição de ministro, você não teria essa crise instalada num momento grave de uma crise econômica, mais acompanhado desse processo de corrupção, mais um endividamento da população, mais uma inquietação ao processo democrático e nós estamos há 31 dias da eleição.
É importante que o Supremo tenha nesta hora a responsabilidade de poder quebrar o sigilo de todas essas denúncias que existem, de todas as operações que existem, para que a democracia não sofra um golpe, ou seja, amanhã o eleitor pode votar em alguém que, depois do dia 4 de outubro, vai ver que está lá na lista ou do INSS, ou do Dark Horse, ou do Master, ou de quem quer que seja.
É importante que o Supremo tenha nesta hora a responsabilidade de poder quebrar o sigilo de todas essas denúncias que existem, de todas as operações que existem, para que a democracia não sofra um golpe.
Então a ideia do senhor seria que seria importante o supremo quebrar o sigilo de todas essas investigações?
Fundamental.
Há ministros que dizem que André Mendonça estaria operando politicamente, porque de um lado está saindo mais (informação) do que de outro. Ontem, nós tivemos também relatos de encontros do Mendonça com o Vorcaro.
E tem um depoimento que foi prestado a ele, com a presença do MP, mas sem a presença da Polícia Federal. O senhor faz algum reparo ao trabalho que tem sido feito pelo ministro André Mendonça nos casos INSS e Master?
O reparo que eu tenho a fazer é aplaudi-lo.
No momento em que você vai para uma campanha eleitoral e ele torna público tudo isso que aconteceu… Agora, nós não podemos sofrer uma outra situação como a Lava Jato, que depois daquele turbilhão de dinheiro desviado, de repente se diz que a origem da denúncia não podia ser ali acolhida naquela instância no Paraná e, de repente, por uma firula jurídica, você vai explicar para a sociedade o quê?
Então, não tem como explicar. A sociedade já chegou a um ponto que ela já não suporta essas chicanas jurídicas.
As pessoas que fazem algum tipo de reparo ao ministro Mendonça, e há críticos até dentro da própria Corte, dizem que ele não tornou público tudo o que porventura existisse a respeito de pessoas próximas do antigo grupo político dele, do governo Bolsonaro, como o Flávio Bolsonaro, o Nikolas Ferreira e outras pessoas citadas em conversas de Daniel Vorcaro.
Quando o senhor fala em levantar o sigilo de tudo, é levantar também o sigilo, nesse caso, do que porventura existe em relação a essas figuras?
É. A palavra tudo significa isso.
Você não pode, como ministro da Corte Suprema, fazer uma liberação seletiva. Você não pode ficar escolhendo quem você deseja, nem o Supremo, nem a Polícia Federal.
Nenhum órgão do governo pode ter uma atuação seletiva por ser ou não ser simpático a uma pessoa A ou a uma pessoa B. A imparcialidade é que deve ponderar.
Ou seja, o que dá no Chico, dá no Francisco.
Então, esta atuação, pelo que eu sei, ele abriu o sigilo completo, eu não sei que ele tenha excluído qualquer área do processo. A informação que eu tenho é que ele disse: “Olha, a partir de agora está aí, todo o caso Master à disposição de quem quiser ver”.
Acho que isso deveria ocorrer em relação ao Dark Horse e em relação ao INSS, também para que nós soubéssemos o que cada um tem a explicar.
Você se lembra do Petrolão? Parece que uma semana antes, ou menos até, começou um rumor maior da eleição e a Dilma foi eleita.
E dali a poucos dias, veio à tona tudo aquilo. Será que se aquela abertura do processo do Petrolão tivesse saído um mês antes, como hoje nós estamos na eleição, será que ela teria sido eleita?
O que falo é que você não pode deformar o processo democrático pela omissão de oferecer ao cidadão as informações corretas sobre cada um dos políticos que estão disputando uma eleição.
Então, por enquanto, o senhor não se sente satisfeito com as explicações dadas nem pelo Flávio Bolsonaro nem pelo presidente Lula?
De maneira alguma. Você não pode, diante de um valor desse e de entendimentos ocorridos, dizer que “isso é página virada”. Ou depois que está na cadeira da Presidência, dizer: “Não, não é bem assim, estão querendo aí penalizar só porque ele é meu filho”. Essas coisas precisam de ter uma transparência total.
Nós temos aquele caso que é emblemático na política, que o Itamar (Franco) tinha o seu chefe de gabinete, que era a pessoa mais ligada a ele, que era o (Henrique) Hargreaves, ele disse: “Olha, você vai lá, explique lá seus problemas e, depois, tudo bem. Se você não tiver culpa, você volta.
Como de fato ocorreu, ele assumiu de novo a cadeira de chefe de gabinete dele. Essa é a transparência.
Quando você tem um processo que chega na antessala do presidente da República, recebendo todas as vinculações com aquela lobista do caso do INSS, junto com o filho do presidente, aí depois você tem a operação do Dark Horse, que também alegava que não tinha nenhum conhecimento… O que eu estou dizendo é que, quando você é candidato à Presidência da República, você não tem o direito sequer de pedir a condição de presunção da inocência.
É uma questão moral?
É uma questão moral. Num primeiro momento, eu fui muito cobrado. (sobre as relações de Flávio Bolsonaro com o financiamento de ‘Dark Horse’) Eu disse: “Não, ele tem direito de explicar, não vou fazer pré-julgamento”. Mas depois que passa um período, eles dizem que isso é página virada?
Essa eleição tem um balizador. Qual é que é? É eleger alguém que tenha a estatura moral para sentar naquela cadeira. Se ele não tiver isso, vamos ficar, simplesmente, acomodando problemas. “Olha, vou acolher o seu problema aqui, vamos botar debaixo do tapete, eu faço um negócio ali”. Você desmoraliza completamente.
É como uma senhora me disse: “Sinto como se eu estivesse pegando o meu voto e jogando na lata do lixo, porque não vai acontecer nada”. Esse é o pior problema que nós estamos vivendo.
As pessoas nivelam os políticos e acham que todos eles estão envolvidos em negociatas. E essa descrença com a democracia está levando à deterioração a todos os Poderes da República.
Eis o risco de você não ter uma pessoa com a estatura.
O Estadão realizou, neste ano, uma série de debates com a curadoria do Fábio Barbosa, com o nome de Brasil Adiante, para discutir soluções de problemas que já são reconhecidos, suficientemente apontados, mas colocando soluções.
Entre as conclusões está a de que o Brasil precisa de uma agência nacional antimáfia, nos moldes das experiências italianas para o enfrentamento do crime organizado. Qual é a opinião do senhor?
Eu diria a você que ela é anti toda e qualquer ordem de corrupção, de enriquecimento ilícito, de lavagem de dinheiro, de toda ordem. Ela é abrangente.
Dentro daquilo que eu apresentei na estrutura do Ministério da Segurança Pública, existe essa estrutura toda onde você encaixa a área da inteligência da Polícia Federal, você tem ali o Coaf, você tem a Receita Federal, você tem a CVM, tudo isso ali compartilhado.
E daí vai para um sistema chamado Sentinela, ou seja, tendo todos esses dados aqui, eu sei a movimentação e sei aquela que não tem como explicar.
Mas isso com participação das polícias estaduais também?
Não. O governo federal tem que guardar o que a Constituição de 88 preservou, ou seja, em cada Estado você pede a cooperação, você não impõe uma regra sobre a unidade federativa.
O governo federal se ocupa dessas informações. Qual é a falta que o governador sente?
A de que uma informação de que determinada empresa que está envolvida, que tem sinal amarelo, alguma coisa acontecendo aí. Essa é a função dessa agência, que terá a capacidade que nenhum Estado tem de compartilhar dados com o governo federal.
Serei capaz de poder dar a todos os governadores e a todas as polícias do Brasil sinais de alerta com o que eu chamo de sistema Sentinela. Teremos todos os dados do Coaf, da CVM, da Polícia Federal e da Receita Federal para eu alertar aquilo que está acontecendo. Este é um processo de celeridade.
Esse é o processo que a gente precisa de não deixar chegar como está, contaminando a economia formal, as fintechs, comprometendo grande parte das bets. Não generalizo, mas passou a ser grande lavanderia de dinheiro do narcotráfico e da corrupção. Esses processos não podem viver na mordomia que estão vivendo no País.
Outra proposta do Brasil Adiante é a criação de uma espécie de governança federal real da Segurança Pública. Isso parte do pressuposto de que é necessário ter no Ministério da Segurança Pública um poder real de coordenação com políticas nos Estados.
O senhor apoiaria a criação de protocolos nacionais de atendimento às vítimas de violência, ou seja, o governo federal sendo o indutor de boas práticas, não impondo, mas oferecendo para os Estados a aplicação de medidas protetivas para as mulheres?
Minha proposta é avançar mais do que isso. Esse cadastro será distribuído nacionalmente. Em caso, por exemplo, de estupro, que o banco genético tenha também toda essa capilaridade de informação.
Eu tenho certeza absoluta de que todo governador quer compartilhar informação com o governo federal. Ninguém se omite. O que se discute não é isso.
O que se discute é que o governador tem autoridade de poder montar as diretrizes gerais do combate ao crime no seu Estado, pelas características que tem o crime no seu Estado.
É diferente de achar que uma pessoa em Brasília vai ditar as diretrizes para uma situação que é de um jeito no Amapá e de outro no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, em Goiás. É a liberdade que a Constituição de 1988 nos deu.
Mas vamos voltar agora ao feminicídio. O feminicídio é uma chaga para a qual nós precisamos de uma medida extremamente drástica, como coloquei no meu plano de governo.
Tem o batalhão Maria da Penha, as medidas protetivas, o botão do pânico, a linha direta no WhatsApp, mas, além disso, você precisa de tomar medidas mais duras, como dobrar a pena no feminicídio, e instituir que só depois de 90% da pena cumprida é que haverá progressão do regime.
Ou seja, depois de 36 anos que ele terá a chance de ter progressão.
O Supremo não acharia isso inconstitucional?
É inconstitucional se não tiver a progressão. Mas eu estou resguardando a progressão nos 10% finais. Outra coisa é o confisco dos bens do covarde que agride por achar que, por ter maior poder aquisitivo, pode espancar a mulher e tê-la como propriedade.
O senhor disse que é contra o uso de câmeras corporais pelos policiais, mas muitos policiais falam que elas podem servir de prova contra os bandidos que enfrentam a polícia e mentem, dizendo que o policial os abusou, que plantou alguma droga, ou seja, que o policial agiu ilegalmente.
Essas câmeras servem muitas vezes como prova contra a bandidagem e a favor da Justiça. Eu queria que o senhor explicasse por que se manifestou contrário ao uso dessas câmeras.
A posição de cada governador é um direito que a Constituição garante. Se o governador quiser usar a câmera, que ele use a câmera.
Eu não vou discutir esse assunto. Cada governador vai decidir a sua política local.
O que eu tenho dentro do meu raciocínio de segurança pública é que a Corregedoria da polícia tem que ser rigorosa, tem que ser austera, qualificada, independente. Agora, olha o confronto com as facções que dominam territórios, como as que dominavam no meu Estado.
O entorno de Brasília era 100% dominado, da mesma maneira que são outras regiões no Brasil hoje, como Salvador, Fortaleza, Natal, Rio de Janeiro, como tantas cidades.
Há um caso do Estado do senhor que poderia ser resolvido se os policiais estivessem com a câmera. É o caso do coronel Edson Luís Sousa Melo Rocha, o Edson Raiado, que foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás sob acusação de ter matado três pessoas, entre elas um piloto de helicóptero que era delator do PCC.
A delação desse piloto havia levado ao bloqueio de R$ 800 milhões em bens que supostamente pertenceriam ao Marcola, líder da facção. Ele morreu, segundo o Raiado, em um tiroteio, mas, segundo o Ministério Público, ele foi executado.
A câmera, nessa hora, não ajudaria o coronel a provar sua inocência?
Olha, essa necessidade que está sendo colocada será analisada por uma corregedoria técnica, com base tanto dos relatos quanto nos fatos ocorridos. Toda perícia é capaz de analisar isso. Essa é a condição que você tem.
Este enfrentamento que você tem hoje é que mostra que esta polícia que você cita aí – que eu tive o orgulho de ser comandante em chefe dela – tem uma aprovação da sociedade goiana de 84%. Então, não é justo que, amanhã, tentem levantar um detalhe a mais sub judice, que nada foi comprovado e tentando macular a trajetória de uma pessoa.
O que é importante é que a Corregedoria possa agir.
Agora, eu lhe pergunto: você tem outro Estado no Brasil, onde você caminha todo o território sem precisar tirar o seu relógio, o seu telefone celular, em seu carro, tranquilo, como você tem no Estado de Goiás? Isso não autoriza a formação de milícia.
Eu não tenho milícia dentro de Goiás. O policial tem que cumprir as determinações.
Ele sabe o que é o combate e sabe o que é a proteção à sociedade goiana.
Então, para você ter uma ideia, a situação hoje é tão grave que tem uma ONG chamada Anjos da Liberdade, a primeira a reagir quando eu proibi visita íntima para o (preso) faccionado. Ela foi a primeira a reagir quando eu disse que a audiência com advogado vai ser gravada para os faccionados.
É uma ONG que foi denunciada pelo promotor Lincoln Gakiya por ligação com a facção PCC…
Então, está aí. E é amicus curiae de ações no Supremo.
E quantas entidades como essa vêm com esses relatos aí, com esse sentido único e exclusivamente de poder dizer que aquilo que é o sistema, com inteligência artificial montado em Goiás, que é o melhor o maior porcentual de resolutividade que tem, o maior nível hoje de Segurança Pública.
O seguro lá, em Goiás, hoje, é seguro de acidente, não é seguro de roubo de carro mais, porque não tem mais seguro de celular, não tem necessidade de o cidadão sair da na porta do hotel e retirar a sua aliança, não andar com o celular, ou tirar a bolsa da esposa.
O que é importante é que ninguém pode admitir, nem eu admito – eu sou médico, aprendi a cuidar de vidas – pistolagem, milícia dentro daquilo que eu comando.
Agora, o que nós temos que ver são os resultados deste processo aí, onde eles instalam tudo isso: o cidadão fica na condição de poder estar num campo de batalha; você está vendo que as facções estão treinando drones para lançar granada contra a policial, e, depois, o Ministério Público vai analisar aquela cena numa sala como essa, de ar condicionado, dizendo: “Olha, realmente ele poderia ter mandado dar mãos ao alto e tal”.
Ora, vamos ver o que são as situações de um campo de batalha, está certo? Você, com as facções hoje, eles têm mais homens armados do que a Força Brasileira.
Resumindo: se o coronel Raiado fez alguma coisa de errado, ele que pague, mas não se pode extrapolar isso para toda a polícia, é isso?
Perfeitamente, que pague com toda a rigidez que tenha que pagar. E você pode levantar que, dentro da polícia de Goiás, o maior número de exclusão de policiais por não ter o comportamento correto foi feito também no meu mandato. Eu não aceito nenhuma quebra daquilo que é a norma legal.
Agora, a polícia, quando ela entra, não pode se sentir acovardada e ameaçada por quem está tomando conta do processo. Você já pensou: eu sou presidente da República, eu não posso entrar na Rocinha?
Eu não posso entrar no Morro do Borel? Eu não posso entrar lá no Complexo do Alemão?
Como não? Por que não?
Por que eu tenho que pedir a ordem para o chefe do comando? Eu estou em Salvador, não posso entrar no bairro?
Então, essa é a democracia que a gente quer. Eu tenho dito, eu não quero nem câmera, eu quero amanhã ficar igual Londres: um apitozinho e um cacetete só. Você não precisa de mais nada. Em Londres, você transita lá, você não tem nenhuma arma com o policial, ele com aquele capacete dele, um cacetete aqui do lado, um apito e pronto.
Eu queria entrar no tema da economia. E saber exatamente o que o senhor pretende alterar na reforma tributária, que foi aprovada recentemente, e por quê?
É interessante… Muito obrigado pela pergunta, porque o que acontece é que, hoje, depois que ela foi aprovada, eu encontrei com o pessoal de bares e restaurantes, todo mundo apavorado. Eu encontrei com o pessoal do varejo, todo mundo apavorado.
Aí eu fui na Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), apavorados. Fui no Sinduscom (Sindicado da Construção Civil), também, atônitos.
Aí você vai nas empresas de aviação, também. Aí você vai na escola, aí todo mundo está alarmado com o que está acontecendo: “Olha, está aumentando demais (o imposto)”.
O que eu quero dizer a você é o seguinte: eu sou um homem que o que eu busco é que haja uma clareza quando você mexe na vida de 215 milhões de brasileiros. Ninguém está se colocando (contra, só) porque você interroga a qualquer ponto (da reforma).
Não, calma. O que eu estou dizendo é que não foi feita nenhuma simulação sobre esta parte (a alíquota que será cobrada).
O cidadão do ISS, ele paga hoje quanto? 5%.
Ele vai pagar 28%. “Ah, então, aí você é contra”.
Não, calma, para de rotular as pessoas. O que eu quero é que a gente faça simulações para que estes segmentos também possam viver.
Não é só a indústria que tem o crédito acumulado que vai poder receber o crédito na hora – tudo bem, tem o direito de receber isso –, mas, nem por isso, tenho de estrangular todos estes segmentos que estou citando aqui.
O senhor quer fazer um ajuste, fazer um estudo melhor, não necessariamente que tenha um ponto ali que o senhor quer mudar?
Eu quero mudar estes pontos. Eu não posso admitir que um cidadão que seja autônomo, o cidadão que pague a mensalidade do filho na escola, o cidadão que está na área de construção, que o profissional liberal não tenha nada acumulado e pague 28% direto, está certo?
De 5% para 28%. Então, eu escutarei todas as áreas e farei simulações contra elas.
Vocês publicaram aqui sobre o consumo: eles já elevaram para esse próximo orçamento 19% a mais na arrecadação do consumo. Uai, mas não é neutralidade (manutenção da carga atual de impostos)? Então, isto mostra que a voracidade de arrecadação é enorme. Não tem nenhuma neutralidade. Tem um aumento da carga tributária.
O senhor defende, então, é que a reforma traz uma simplificação por um lado, mas há um problema com a alíquota, com o tamanho da alíquota.
Perfeito. Todo mundo é a favor de desburocratizar, todo mundo é a favor de ter mais transparência na distribuição dos dados. Agora, você não pode beneficiar um segmento e penalizar outros. Essa simulação que eu acho que deve ser feita. Não é uma coisa empírica que você fala: eu vou mudar o modelo do Brasil.
Alguns dos setores que o senhor citou – varejo, por exemplo – , estão preocupados com o que foi aprovado ontem na CCJ no Senado e deve ir a plenário em breve, que é o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. O senhor se manifestou favorável à medida, mas que seria necessário um período de transição.
Como seria esse período e como seria possível mitigar os efeitos dessa medida na economia?
São dois pontos que eu coloquei. O primeiro é porque eu estava ouvindo as pessoas dizendo o seguinte: “Nós temos aqui uma empresa responsável por distribuição de energia elétrica; temos aqui uma equipe toda que é responsável por trabalhar com a rede ligada, de um risco altíssimo.
Eu tenho dois meses do dia da aprovação para eu poder ter outra equipe com um processo de altíssimo risco”.
Aí o pessoal da Anfavea vai dizer assim: “Olha, eu preciso de ter aqui uma linha de produção onde essa pessoa, para eu formá-la, não é assim, para ampliar essa linha de produção minha eu terei que fechar em decorrência de uma substituição que não tem uma mão de obra direta”. Você tem que capacitar essas pessoas para essa mão de obra.
Outro ponto que é importante é também que na Emenda Constitucional se refere à pequena e à microempresa. Como amanhã poderá o Congresso Nacional avaliar a situação que venha a penalizar as pequenas e microempresas.
Ontem eu estava no mercado e aí uma senhora veio dizendo a mim: “Olha, eu já demiti dois funcionários”. E outra lá me disse: “Eu já demiti um funcionário”.
Então, o que acontece? Você tem uma carga tributária que hoje está empobrecendo todo mundo, e as pessoas dizendo a mim ontem: com R$ 100 o que eu estou levando para casa?
Olha o custo de vida. Não estão vendendo melão inteiro.
Melancia é fatia, melão é fatia. Quase que uva é por unidade.
Virou algo assim. Você nunca viu uma carestia como essa.
Você está vendo uma baixa de poder aquisitivo, uma inflação enorme hoje no custo de vida das pessoas. Seja na alimentação, na conta de luz, na conta da água, no colégio do filho, no seguro de vida.
Você tem isso aqui acumulado e, de repente, você tem outra carga sobre quem absorve a mão de obra formal, que é o micro, o pequeno empresário. A formalidade dele ultrapassa 70% hoje. Aí ele mesmo vai trabalhar 24 horas por dia para tentar manter a pequena empresa dele.
Quando um governo propõe uma discussão como essa, ela não pode ter um viés eleitoreiro. Você viu aquela pressão ontem para ser votada (no Senado), de qualquer jeito?
Já aceitaram que será entre o primeiro e o segundo turno (da eleição, a votação da PEC do fim da escala 6×1). Então, você vê que é uma proposta que não tem densidade do ponto de vista de ter viabilidade, do ponto de vista econômico.
Agora, todo mundo vai votar a favor porque ninguém é contra o cidadão trabalhar menos e ganhar a mesma coisa.
Para reduzir a carga tributária é preciso reduzir gastos do governo e os gastos obrigatórios, que é o que espreme mesmo o fiscal do governo. Especialistas, geralmente, colocam duas questões como chave, que seriam a discussão sobre a desindexação das aposentadorias em relação ao mínimo e a regra de aumento automático do mínimo.
Como o senhor vê dessas propostas e, se não for favorável a elas, como pretende reduzir gastos públicos?
Verdade, é que todo mundo, se você chamar aqui 100 economistas, vão dizer isso para você. É interessante, porque criou-se essa cultura no Brasil de que o resto é intocável e você só pode mexer no salário mínimo e no pobre coitado aposentado, certo? E no benefício continuado. Então, criou-se essa tela.
O sacrifício tem que ser de todos. O sacrifício, se tiver que existir, tem que ser de todos? Mas seria onde esse corte?
Exatamente. Só a grosso modo, vamos dizer, você corta R$ 50 bilhões de arrancada só em emenda impositiva.
R$ 50 bilhões de arrancada. Você tem em torno de mais ou menos, uns falam R$ 500 bilhões, outros falam R$ 400 bilhões, só em incentivos fiscais.
Quer dizer: vamos fazer uma limpa ali; Eu, em Goiás, cortei R$ 3 bilhões em incentivos fiscais. Vamos dizer que a gente corte R$ 30 bilhões.
Mas e os lobbies que existem hoje de fato? E no próprio Parlamento mesmo, um corte de emendas, como passar ?
Só que agora o aposentado vai ter o lobby do Caiado, presidente. Aí a caneta é pesada.
E nessa hora, meu amigo, eu vou defendê-lo.
Porque, no momento em que você acha que pode fazer ajuste fiscal em cima da pessoa que está aposentada… Ontem mesmo eu conversava com uma aposentada, ela dizia: “Pelo amor de Deus, eu ainda tomei um dinheiro de crédito consignado, eu vou receber minha aposentadoria, está desse tamanhozinho a minha aposentadoria, e olha o que eu estou comprando.
O pessoal comprou um maracujá, eu comprei um maracujá, porque eu estou andando tão nervosa. Estou com dois maracujás na cesta, e um pedacinho de uma batata doce.
Olha o que está sobrando para mim. Então, doutor, pelo amor de Deus”
São situações que mostram para você que a gente, como governante, tem de ter essa sensibilidade. Às vezes as pessoas tomam decisões nas salas frias.
Eu sou uma pessoa que eu, per capita, fui o Estado que mais investiu em programas sociais emancipatórios. Veja bem o que eu estou falando: Eu fui o que mais investi no Brasil em programas sociais emancipatórios.
Equilíbrio fiscal não briga com programa social. Você tem que saber governar.
Então, fiz o corte administrativo, fiz imediatamente (a medida de) cortar esses incentivos fiscais sobrepostos. Combati a corrupção.
Outra parte: só você combater a corrupção na máquina do governo. Você instalar esses sistemas novos de inteligência artificial que identificam rapidamente antes de acontecer o roubo.
É uma coisa impressionante. E, além disso, é a capacidade que você tem que ter nesta hora para poder combater os desvios também dos programas sociais, que eles não estão cumprindo a finalidade.
Você tranquilamente, nisso aí, joga para dentro R$ 130 bilhões. Tranquilo. Eu estou lhe falando porque eu sei e fiz lá no Estado de Goiás. Então, o economista traz para você essa receita, agora, há o governante, e ele tem de ter essa coragem.
Quando eu comecei o governo, que eu tomei as atitudes, aí o pessoal disse, realmente: “O Caiado, com 10 meses nós vamos ter o impeachment dele, com 10 meses ele não vai continuar”. No final, saí com 88% de aprovação.
É isso que a sociedade espera de um presidente. Essa capacidade de você acolher as pessoas e tomar as medidas certas, corajosas.
Por isso que eu disse: o aposentado e o trabalhador, vão ter o Caiado como comandante do lobby deles. Eu estarei lá valorizando essas pessoas que trabalham e que dignificaram o País.
O senhor disse que pretende reduzir, e de certa forma isso é quase que um consenso entre as forças políticas, a dependência externa do país de fertilizantes, de produtores internacionais, como a Rússia, por exemplo. Até por razões geopolíticas, a gente está vendo o que está acontecendo, o conflito com a Ucrânia.
O senhor fala em incentivar a instalação e modernização, ampliação de plantas formuladoras de defensivos, estimular a produção nacional de ingredientes desses ativos estratégicos. Eu queria que o senhor detalhasse um pouco melhor como que é isso?
É a visão que tenho discutido muito. Às vezes, a gente fala só em cortes e ninguém fala em gerar riqueza no Brasil.
É impressionante isso. Um País tem essa potencialidade toda, você não vê nada agregado para subir a renda, o PIB brasileiro.
Então, o Brasil é importador de todos esses produtos hoje, sendo que nós temos no País a maior capacidade de produção.
Por que uma Índia está me exportando aqui nitrogenado, está me exportando enxofre, sendo que eu tenho muito mais gás natural aqui, que eu reinjeto no pré-sal e poderia trazer isso aqui para poder instalar essa fábrica de nitrogenado no Brasil, usando o que eu estou reinjetando no pré-sal, 110 milhões de metros cúbicos de gás por dia?
Onde é que está a nossa capacidade de agregar essa capacidade de transformar esse produto e não ficar?
Nós temos as maiores minas de potássio do mundo. Nós temos e isso nada é explorado.
Temos aí minas de fósforo, temos a capacidade de produção de enxofre pelo gás que retiramos do petróleo, temos como produzir ureia, amônia, exatamente a fonte de origem é o gás que nós injetamos.
Temos capacidade de produzir bioinsumos, que nós desenvolvemos com toda a tecnologia que a Embrapa tem, que você muitas vezes não precisa do seu adubo químico, você pode fazer de bioinsumos.
Às vezes, a gente fala só em cortes e ninguém fala em gerar riqueza no Brasil. É impressionante isso. Um País tem essa potencialidade toda, você não vê nada agregado para subir a renda, o PIB brasileiro.
Às vezes, a gente fala só em cortes e ninguém fala em gerar riqueza no Brasil. É impressionante isso. Um País tem essa potencialidade toda, você não vê nada agregado para subir a renda, o PIB brasileiro.
Esse é o Brasil que eu quero trazer, como trouxe para a Goiás. Você vê as fábricas de bioinsumos, as primeiras foram no Estado de Goiás, uma até foi vendida para um grupo americano agora.
Você vê a discussão da inteligência artificial, nós avançamos em 2019, o governo não tem nem lei para isso até hoje, enquanto nós já temos em Goiás. O governo federal não sabia nem o que era terras raras pesadas.
Para tirar em terras raras aqui de Goiás, não vai ser mais por tonelada, não. É para trazer tecnologia para separar os elementos químicos aqui.
Essa é uma nova visão, é formar a juventude em computação, em inteligência artificial, que nós temos hoje. Já formamos três cursos, três turmas no meu mandato de sete anos.
Esse é o Brasil que a sociedade espera. Não é um Brasil vendedor de pau Brasil, vendedor de commodity.
Eu tenho repetido isso todas as vezes. Nós precisamos acabar com a palavra commodity.
Vocês têm que botar sempre no jornal, entre parênteses: “matéria bruta”. Aí faz com que o cidadão enxergue o quanto o Brasil está ficando atrasado perante o mundo.
Como é que o senhor pretende lidar com o tarifaço do Donald Trump? O senhor já disse que retaliar não é uma solução, mas negociar. O que o Brasil poderia colocar na mesa?
Eu vou resgatar o Itamaraty brasileiro. Não vai ser mais um braço político ideológico como é hoje. Eu vou voltar aquele Itamaraty que sabe sentar a mesa de negociação, que é aí que se dá a formalidade de tudo.
Em segundo lugar, realmente poder conversar sem agressão e com respeito. Eu vou dizer: “Olha, vocês têm toda a tecnologia, eu tenho a matéria bruta.
Só que eu não quero mais ser vendedor de matéria bruta. Eu quero tecnologia junto.
Vamos acertar? Nós temos nióbio.
Se eu fechar o nióbio no Brasil, não se produz aço no mundo. Ora, o único país que tem no Ocidente terras raras pesadas somos nós.
Vamos conversar?”
Sem ameaças, sem falar da dentadura do Trump, sem falar que eu vou desdolarizar o mundo, sem essas agressões rasteiras. É isso que eu estou lhe dizendo, que é um nível de entendimento.
Eu quero buscar o máximo de vida, parceria de tecnologia e de inovação. O máximo possível.
Agora, este assunto não será com briga, não será com afronta, e será com respeito e com a liturgia do cargo de presidente da República.
Quero dar 30 segundos para o senhor fazer as suas considerações finais.
Eu sei que muita gente que está me assistindo agora não me conhece. Eu gostaria que você desse um Google aí: “Ronaldo Caiado”.
Pesquisa no ChatGPT, vê se tem alguma coisa na minha vida pregressa. Eu sou um médico, sou um cirurgião, especializado na área de cirurgia da coluna vertebral.
Sou pai de família, meus quatro filhos, minha esposa. Sou uma pessoa que, como deputado federal, senador, governador, nunca tive um escândalo na minha vida.
Então, só para você saber, eu tenho muito a mostrar e nada a esconder. Vocês viram o debate aqui?
Ninguém aqui está me acusando do mau comportamento.
Fonte: A Redação
