O presidente da FIFA, Gianni Infantino, voltou atrás e desistiu do projeto que previa a criação de uma empresa para administrar comercialmente as principais competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo, com a venda de uma participação minoritária a investidores privados.
A decisão foi anunciada após uma forte reação das confederações continentais, que criticaram a falta de transparência da proposta e o risco de transformar o principal patrimônio do futebol mundial em um ativo comercial.
A oposição foi liderada pela UEFA, que chegou a ameaçar um boicote às competições organizadas pela FIFA caso o projeto fosse levado adiante. A entidade europeia afirmou que a iniciativa colocaria “a alma do futebol” à venda e criticou a condução do processo por Gianni Infantino.
A UEFA elevou o tom e declarou publicamente ter perdido a confiança na liderança do dirigente, classificando todo o processo como “tudo, menos transparente”.
A resistência ganhou força com o apoio da CONCACAF, responsável pelo futebol das Américas do Norte, Central e Caribe, e da Confederação Asiática de Futebol (AFC).
As duas entidades também questionaram a falta de consultas prévias, a transparência do projeto e os impactos que a entrada de investidores privados poderia provocar no futuro das principais competições da FIFA.
A união das três confederações representou uma ampla maioria entre as associações filiadas à entidade máxima do futebol mundial, tornando praticamente inviável a continuidade da proposta.
Diante da repercussão negativa, Infantino anunciou oficialmente o abandono do projeto. Em nota, o presidente da FIFA afirmou que a iniciativa tinha como objetivo fortalecer financeiramente as associações nacionais e ampliar os investimentos no desenvolvimento do futebol, mas reconheceu que a proposta acabou provocando divisões.
“Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões que já não atendem ao objetivo para o qual foi concebido”, afirmou o dirigente, acrescentando que pretende reunir novamente as confederações e demais partes interessadas para discutir alternativas em favor do crescimento do futebol mundial.
O episódio expôs uma das maiores crises políticas recentes entre a FIFA e as confederações continentais.
Além da desistência do projeto, a relação entre a entidade comandada por Infantino e a UEFA sofreu um novo desgaste, com dirigentes europeus afirmando que o presidente da FIFA rompeu compromissos assumidos quando chegou ao cargo e conduziu o processo sem diálogo suficiente com as confederações.
A retirada da proposta evita, ao menos por enquanto, um conflito que poderia atingir diretamente competições como a Copa do Mundo Feminina de 2027 e o ciclo da Copa do Mundo de 2030.
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Fonte: Diário de Goiás
