O caso Anápolis na Roda completou, em maio, um ano sem avançar na Justiça. Um pedido da Polícia Civil para investigar o prefeito Márcio Corrêa (PL) por supostamente comandar um grupo que fazia postagens para difamar pessoas em um perfil no Instagram não teve autorização – tampouco foi negado.
A investigação, que foi célere no início do ano passado, perdeu velocidade justamente depois de o Grupo Especial de Investigação Criminal (Geic) citar em inquérito indícios de participação de Corrêa. Também não houve denúncia contra nenhum dos três investigados de operacionalizar os ataques.
As últimas movimentações no processo foram respostas judiciais a pedidos considerados protelatórios das defesas – como por exemplo a transferência do caso para a Justiça Eleitoral, o que foi negado pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). Os desembargadores, em junho do ano passado, também devolveram o caso à primeira instância por entender que não haveria foro privilegiado.
O processo segue na 5ª Vara Criminal de Anápolis, mas nos últimos 12 meses não houve muitos movimentos – e nenhum relevante. Nesse período, inclusive, a Justiça relaxou medidas cautelares impostas aos investigados, como a proibição de utilizar redes sociais, ao entender que todos eles trabalham no ambiente digital.
Relembre o caso
A Polícia Civil deflagrou, no dia 16 de maio de 2025, uma operação que prendeu três suspeitos de operarem o perfil ‘Anápolis na Roda’. Foram alvos os então secretário de Comunicação de Corrêa, Luis Gustavo Souza Rocha, e o então diretor de Comunicação da Câmara, Denilson Boaventura, além da ex-candidata a vereadora Elyssama Aires. Os três foram liberados poucas horas depois da prisão.
A Operação Máscara Digital foi deflagrada para desarticular um grupo que usava um perfil no Instagram para difamar pessoas, inclusive adversários políticos de Márcio Corrêa. A partir da quebra de sigilo telefônico autorizado pela Justiça, o Geic identificou grupos de mensagens onde os suspeitos combinavam alvos, criavam perfis falsos e direcionavam ataques contra a honra de moradores da cidade.
Elas iam de denúncias de adultério a supostas informações de bastidores da política. Pelo menos quatro vereadores foram citados por publicações, sobretudo nos stories, quando uma caixa com mensagens anônimas era aberta. À época, houve forte reação política e a oposição ficou a uma assinatura de conseguir o apoio necessário para abrir uma Comissão Especial de Inquérito (CEI).
Depois, em costuras políticas, Márcio Corrêa conseguiu desmobilizar parlamentares e matou a qualquer chance de instalação do colegiado. Prefeito Márcio Corrêa foi apontado como líder do grupo pela Polícia Civil, mas investigação não andou. (Foto: Paulo de Tarso)
Se não conseguiu instalar a CEI, a oposição se movimentou para promover uma audiência pública de apoio às vítimas do perfil.
Na ocasião, houve relatos de desgastes matrimoniais, fim de relações e adoecimentos psíquicos. O desgaste político também levou à exoneração dos dois servidores públicos investigados. Naquele momento, acuado, Márcio Corrêa – muito ativo nas redes sociais – ficou semanas sem nenhuma publicação e evitou qualquer evento público para não cruzar com questionamentos sobre seu suposto envolvimento.
Somente no fim de junho, quase dois meses depois, com a oposição enfraquecida e a repercussão minimizada, o prefeito se pronunciou sobre o caso até ser questionado numa sessão de prestação de contas. Nas vezes em que foi perguntado, minimizou a investigação ao tratá-la como ‘crime de fofoca’.
Também disse que, por ser prefeito, poderia ser alvo de diversas investigações e garantiu inocência. “Me investiguem o dia inteiro”, afirmou à época. O post Caso ‘Anápolis na Roda’ completa um ano parado na Justiça foi publicado primeiro em Diário de Goiás.
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Caso ‘Anápolis na Roda’ completa um ano parado na Justiça
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